Tenho sido parca em relatos de histórias reais com nomes fictícos, apesar de muitas constarem redigidas à velha maneira, da caneta e papel, nos meus apontamentos pessoais. Hoje resolvi postar aqui uma das mais antigas.
Sr. Vitorino (nome fictício)
Hoje (data já passada), ao entrar no 2.1 (actual unidade 2), fui fazer a minha actual ronda pelas enfermarias, para ver quem estava, os novos, os cromos repetidos e os que à muito por ali estão. Quando cheguei ao último quarto e direccionei o meu olhar para a cama junto à janela, tive um choque! Pois o meu amigo de confidências, que só ria, via desenhos animados e cujo só uma única vez ouvi proferir umas palavras imperceptíveis, não estava na cama e outro já havia tomado o seu lugar. O meu 1º pensamento, foi, fez a dita alta celestial! Coisa diária e comum por estas bandas, à qual estamos mais do que habituados, mas que sempre respeitamos. Perguntei a uma colega e ela informou-me que não. Tinha sido transferido para outra cidade, cujo o sítio recebia pessoas com a sua patologia. Fiquei mais contente, porque apesar da dita alta ser mais que certa ao meu amigo, é sempre bom saber que não ocorreu. Mas não deixo de sentir falta do Sr. Vitorino, apesar de ter comido o ursito de peluche que lhe ofertei! ehehe Só desejo que a filha saiba para onde foi e lhe agarre na mão com o carinho que tive oportunidade de presenciar. Foi colhido na rua e internado como sem abrigo e desconhecimento da existência de algum familiar, como muitos casos. Ninguém sabia do existir da filha Rita, Teen, por volta dos 13, 14 anos e da ex-mulher, que por um mero acaso lá o conseguiram descobrir. A ex. nunca mais voltou, mas a filha Rita, sim, e o amor pelo pai durante as parcas visitas, provavélmente contrariadas pela progenitora, eram atmosfera boa e pura junto à cama do meu amigo....Que jamais esquecerei! Para mim uma presença sentida!
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Recusas ou receios em receber comida?
Desde o início desta minha profissão, muito recente, que me tenho vindo a apercerber que por vezes, certos doentes oferecem resistência a receber a alimentação, por receio! Uma das nossas tarefas, aquando, o doente não tem possibilidade em comer as refeições sozinho, é dar à boca as mesmas. Quer por impossibilidade física, quer por impossibilidade também de pura ausência do poder da voz e incapacidade manifesta de comunicação com o mundo que os rodeia. Imagino, eu, o sentimento de não poder dizer que não se não se gosta da sopa, que detestamos iogurte ou a papa está muito enjoativa! De qualquer maneira, a importância de quem recebe uma quantidade de terapêutica, é muito elevada. Ou seja, a alimentação feita de um modo correcto, quer em quantidade, quer em qualidade, é ao doente muito importante! Muitos cerram os dentes e não querem mesmo comer! Por vezes, a única maneira é o recurso à administração com a "bela" da seringa para alimentação de 50 cc. Da minha parte, o recurso a tal objecto causa-me a mim própria "recusa" alimentar. Jamais gostaria de receber a sopita de rajada dentro da minha boquita sem poder protestar! Julgo que ninguém ficaria satisfeito com tal forma de receber o repasto! Devido a essa circunstância, tudo eu faço para dar a boa da comida por colher. Primeiro tento manter contacto visual com o doente, passando para a tentativa de manter relação de confiança. É claro que muitas vezes em vão, mas também por muitas vezes dá resultado. Converso, em puro monólogo, de forma suave e com muita calma. Sim, calma e muita paciência é essêncial para o êxito de tal tarefa. Ao colocar a colher na boca tento também apercerber-me da morfologia da mesma e do estado dentário. Pois por vezes a colher pequena é o melhor recurso para tirar o receio, seguindo depois para uso da maior! Tenho conseguido alcançar bastantantes respostas positivas da parte dos doentes, utilizando esta metodologia. E tenho percebido também que as recusas provém de receios de modos de administrações anteriores! Comigo, a seringa 50 cc de alimentação é mesmo último, mesmo o último dos recursos!
sábado, 4 de julho de 2009
Alimentar o cérebro!
A falta de estimulação mental dos doentes internados nas unidades de medicina interna, provoca lotação esgotada de camas hospitalares, gastos excessivos de material clínico, alimentação e terapêutica, causando assim um enorme abalo à economia do país! E que tal colocarem técnicos da área da psicologia com intenção de auxiliarem os utentes a ultrapassarem melhor a situação de internamento, doença, De modo a que se sintam de uma forma mais apoiada na parte psicolócica, que pelo conjunto de factores ser pesado, os deixa demasiado fragilizados e inseguros em relação a tudo, começando por si próprios? Certamente faria maravilhas! corpo sanus mens sana E já agora, deixo por aqui......um baralho de cartas, para a suecada e bisca, um tabuleiro de xadrez e damas, para os apreciadores, fomentando um convívio saudável e descontraído, aos doentes independentes, lá para os lados do refeitório!
Se alguns de vós......mordessem a língua!!!!!
Não havia sacos brancos que chegassem nas unidades, armazém e se calhar até fornecedores!
No passado existiam as "alcoviteiras", mulheres, cujo o único objectivo na vida era dizer mal, inventar e comentar, a vida dos que lá pela "terra" se passeavam! Mais tarde, surgiram, as "Beatas", solteironas a passar uma vida de rebarba, em que se tornavam devotas acérrimas da Igreja, mas que utlizavam a devoção para julgarem tudo e todos, lançando os mais impiedosos boatos fabricados para prejudicar quem realmente era pessoa de bem. Num passado mais recente, vieram as quadrilheiras, grupos de pessoas sem escrúpulos e falta do que fazer, abusando e criando as mais imaginárias histórias, sempre com o mesmo fim, falar mal e lançar confusão entre semelhantes que levavam a vida pacata e sem dedo a apontar! E agora? Muito honestamente nem faço ideia como dar nomenculatura! São as maiores fantasiosas mentiras, boatos e julgamentos, ouvidos por todos os lados! E que tal se finalmente "esta gente" aprendesse que uma das maiores lições que podemos aprender na vida, é olharmos e conhecermos-nos bem, ao jeito de introspecção, deixarmos as vidas do vizinho com ele mesmo e utilizar o tempo livre para fazer coisas úteis ou aprovitar o lazer do "non fare niente" É saudável e natural! O uso abusivo de má língua deveria ser objeto de coima de valor bastante elevado ou qualquer tipo de punição, para quem a usa, pensar sempre primeiro antes de o fazer!
No passado existiam as "alcoviteiras", mulheres, cujo o único objectivo na vida era dizer mal, inventar e comentar, a vida dos que lá pela "terra" se passeavam! Mais tarde, surgiram, as "Beatas", solteironas a passar uma vida de rebarba, em que se tornavam devotas acérrimas da Igreja, mas que utlizavam a devoção para julgarem tudo e todos, lançando os mais impiedosos boatos fabricados para prejudicar quem realmente era pessoa de bem. Num passado mais recente, vieram as quadrilheiras, grupos de pessoas sem escrúpulos e falta do que fazer, abusando e criando as mais imaginárias histórias, sempre com o mesmo fim, falar mal e lançar confusão entre semelhantes que levavam a vida pacata e sem dedo a apontar! E agora? Muito honestamente nem faço ideia como dar nomenculatura! São as maiores fantasiosas mentiras, boatos e julgamentos, ouvidos por todos os lados! E que tal se finalmente "esta gente" aprendesse que uma das maiores lições que podemos aprender na vida, é olharmos e conhecermos-nos bem, ao jeito de introspecção, deixarmos as vidas do vizinho com ele mesmo e utilizar o tempo livre para fazer coisas úteis ou aprovitar o lazer do "non fare niente" É saudável e natural! O uso abusivo de má língua deveria ser objeto de coima de valor bastante elevado ou qualquer tipo de punição, para quem a usa, pensar sempre primeiro antes de o fazer!
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Noites de vela ou de lanterna!!!
Por uma questão de lógica, penso, que o termo "estar de vela", vem do facto de estarmos acordados, a velar, neste caso, a fazer zelo de alguém. As nossas noites de vela no hospital, obrigam a prestar os cuidados necessários aos doentes e a fazer a vigia com lanterna, de vez em quando, por todas as camas das enfermarias, para verificar se tudo está dentro da normalidade, o que por vezes não acontece! Mas só pelo facto de ser noite e esta convencionálmente "ser feita para descansar", todos os rúidos, a grande azáfama e população hospitalar, ficam reduzidos a um acentuado silêncio. As nossas tarefas que fazem barulho são sempre efectuadas durante os turnos de dia. Sendo assim é lógico e natural que o ritmo de trabalho abrande substâncialmente e ficamos com muito mais tempo conhecermos melhor os colegas, conversar e trocar idéias! É como passar da Sala de Triagem, para a de Observações!!! Dá tempo para desabafos, contar histórias e melhor as nossas relações interpessoais. As relações pessoais, nunca e jamais, podem interferir com a nossa profissão e desempenho! Mas é inevítavel que existam e que se aprofundem por aqui. De facto é bom que a frieza fique de lado, dando lugar a um caloroso convívio entre nós, Os Prós!
Julgamentos precipitados, ilacções erráticas!
Por mais que aprendemos com o nosso percurso de vida, que nunca devemos julgar alguém precipitadamente ou através dos olhos de outrém, inevitávelmente o fazemos. Infelizmente é daqueles erros que nem com o décimo quinto, por aí, aprendemos a não repetir! Mas também estamos sempre a tempo de assumir que fizemos julgamentos de circunstância, com motivos idiotas e assumir o erro! Que afinal é o de pensar que possuímos a capacidade, sequer, de julgar alguém. Felizmente, os julgamentos precipitados vão-se diluíndo por si e vão dando lugar a sentimentos concertados que fazem com que as relações se manifestem saudáveis e naturais!
segunda-feira, 29 de junho de 2009
De prof. a utente...
Bem, hoje tive de ir levar uma injeçãozita na urgência do Hospital onde trabalho, dores de costas, enfim, amanhã já passou! Lembrei-me a caminho do meu descanso, de uma citação proferida por os similares que por alguma razão sem qualquer explicação, a não ser uma exagerada e receosa de não saberem a que espécie pertencem a ,.nível de classificação lá para os lados da ciência! A bonita-" Afinal também somos humanos" ! Sim porque muitos destes seres ainda põe em causa o que são ????
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