quinta-feira, 16 de julho de 2009

Eu no maravilhoso mundo da burocrácia...

Há uns posts atrás referi que tive de levar uma injecção devido a uma dor de costas proveniente do meu desempenho de assistente operacional. Bem, com alguma medicação e algum descuido de quem me fez o primeiro diagnóstico, a coisa lá se aligeirou. Mas de à uns dias até antes de ontem, voltou e de maneira cruel e atroz, provocando em mim um doloroso mal estar, daqueles que nos faz mesmo recorrer à urgência e observação. Lá voltei à urgência, mas desta vez sugeri um rx e fui munida do impresso que eu mesma downloadiei lá no pc, para evitar conflitos laborais. A dra. passou-me 3 diazitos de baixa para repouso, levei outra injecção e deu-me outra terapêutica, de modo a ver se a coisa desta vez se compõe melhor. Mandou-me marcar consulta com ela para me dar alta passados os três dias e prontes, fui para casita descansar a julgar que o processo estava na perfeita correcção! Tive obviamente uma exacerbada preocupação em fazer aviso de que me era impossível, por questões de saúde, comprovadas, da minha não presença no trabalho no turno de manhã que me estava destinado e fiz envio de sms a horas tardias, porque eram as que marcavam nos relógios, pois pensei que telefonar era muito incomodativo, mas também tinha plena consciênciencia que não iria conseguir acordar atempadamente a horas devido à injecção 2 em 1 que me tinha sido administrada! Mas não! Afinal estava tudo mal e para ter direito ao seguro, tive de ir a uma clínica privada, no dia seguinte, em vez de estar em repouso, para ter direito acidente de trabalho! É lindo! Afinal pensava eu que trabalhava num hospital! O médico, sr. com simpatia e discernimento, achou tal, como eu, a situação caricata e de pura burocracia, dizendo porém que a baixa passada pela colega do hospital onde trabalho, era completamente lógica e legal, aconselhando a ir á consulta da colega para me dar alta e dizendo que estava em pleno direito laboral. Assim fiz! Mas também fiz cópias de todos os documentos e comuniquei directamente ao departamento que trata dos acidentes de trabalho do meu hospital! Sim porque mais vale prevenir do que remediar, e isso cada vez aprendo mais a fazer!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Sr.Vitorino

Tenho sido parca em relatos de histórias reais com nomes fictícos, apesar de muitas constarem redigidas à velha maneira, da caneta e papel, nos meus apontamentos pessoais. Hoje resolvi postar aqui uma das mais antigas.

Sr. Vitorino (nome fictício)
Hoje (data já passada), ao entrar no 2.1 (actual unidade 2), fui fazer a minha actual ronda pelas enfermarias, para ver quem estava, os novos, os cromos repetidos e os que à muito por ali estão. Quando cheguei ao último quarto e direccionei o meu olhar para a cama junto à janela, tive um choque! Pois o meu amigo de confidências, que só ria, via desenhos animados e cujo só uma única vez ouvi proferir umas palavras imperceptíveis, não estava na cama e outro já havia tomado o seu lugar. O meu 1º pensamento, foi, fez a dita alta celestial! Coisa diária e comum por estas bandas, à qual estamos mais do que habituados, mas que sempre respeitamos. Perguntei a uma colega e ela informou-me que não. Tinha sido transferido para outra cidade, cujo o sítio recebia pessoas com a sua patologia. Fiquei mais contente, porque apesar da dita alta ser mais que certa ao meu amigo, é sempre bom saber que não ocorreu. Mas não deixo de sentir falta do Sr. Vitorino, apesar de ter comido o ursito de peluche que lhe ofertei! ehehe Só desejo que a filha saiba para onde foi e lhe agarre na mão com o carinho que tive oportunidade de presenciar. Foi colhido na rua e internado como sem abrigo e desconhecimento da existência de algum familiar, como muitos casos. Ninguém sabia do existir da filha Rita, Teen, por volta dos 13, 14 anos e da ex-mulher, que por um mero acaso lá o conseguiram descobrir. A ex. nunca mais voltou, mas a filha Rita, sim, e o amor pelo pai durante as parcas visitas, provavélmente contrariadas pela progenitora, eram atmosfera boa e pura junto à cama do meu amigo....Que jamais esquecerei! Para mim uma presença sentida!

Recusas ou receios em receber comida?

Desde o início desta minha profissão, muito recente, que me tenho vindo a apercerber que por vezes, certos doentes oferecem resistência a receber a alimentação, por receio! Uma das nossas tarefas, aquando, o doente não tem possibilidade em comer as refeições sozinho, é dar à boca as mesmas. Quer por impossibilidade física, quer por impossibilidade também de pura ausência do poder da voz e incapacidade manifesta de comunicação com o mundo que os rodeia. Imagino, eu, o sentimento de não poder dizer que não se não se gosta da sopa, que detestamos iogurte ou a papa está muito enjoativa! De qualquer maneira, a importância de quem recebe uma quantidade de terapêutica, é muito elevada. Ou seja, a alimentação feita de um modo correcto, quer em quantidade, quer em qualidade, é ao doente muito importante! Muitos cerram os dentes e não querem mesmo comer! Por vezes, a única maneira é o recurso à administração com a "bela" da seringa para alimentação de 50 cc. Da minha parte, o recurso a tal objecto causa-me a mim própria "recusa" alimentar. Jamais gostaria de receber a sopita de rajada dentro da minha boquita sem poder protestar! Julgo que ninguém ficaria satisfeito com tal forma de receber o repasto! Devido a essa circunstância, tudo eu faço para dar a boa da comida por colher. Primeiro tento manter contacto visual com o doente, passando para a tentativa de manter relação de confiança. É claro que muitas vezes em vão, mas também por muitas vezes dá resultado. Converso, em puro monólogo, de forma suave e com muita calma. Sim, calma e muita paciência é essêncial para o êxito de tal tarefa. Ao colocar a colher na boca tento também apercerber-me da morfologia da mesma e do estado dentário. Pois por vezes a colher pequena é o melhor recurso para tirar o receio, seguindo depois para uso da maior! Tenho conseguido alcançar bastantantes respostas positivas da parte dos doentes, utilizando esta metodologia. E tenho percebido também que as recusas provém de receios de modos de administrações anteriores! Comigo, a seringa 50 cc de alimentação é mesmo último, mesmo o último dos recursos!

sábado, 4 de julho de 2009

Alimentar o cérebro!

A falta de estimulação mental dos doentes internados nas unidades de medicina interna, provoca lotação esgotada de camas hospitalares, gastos excessivos de material clínico, alimentação e terapêutica, causando assim um enorme abalo à economia do país! E que tal colocarem técnicos da área da psicologia com intenção de auxiliarem os utentes a ultrapassarem melhor a situação de internamento, doença, De modo a que se sintam de uma forma mais apoiada na parte psicolócica, que pelo conjunto de factores ser pesado, os deixa demasiado fragilizados e inseguros em relação a tudo, começando por si próprios? Certamente faria maravilhas! corpo sanus mens sana E já agora, deixo por aqui......um baralho de cartas, para a suecada e bisca, um tabuleiro de xadrez e damas, para os apreciadores, fomentando um convívio saudável e descontraído, aos doentes independentes, lá para os lados do refeitório!

Se alguns de vós......mordessem a língua!!!!!

Não havia sacos brancos que chegassem nas unidades, armazém e se calhar até fornecedores!
No passado existiam as "alcoviteiras", mulheres, cujo o único objectivo na vida era dizer mal, inventar e comentar, a vida dos que lá pela "terra" se passeavam! Mais tarde, surgiram, as "Beatas", solteironas a passar uma vida de rebarba, em que se tornavam devotas acérrimas da Igreja, mas que utlizavam a devoção para julgarem tudo e todos, lançando os mais impiedosos boatos fabricados para prejudicar quem realmente era pessoa de bem. Num passado mais recente, vieram as quadrilheiras, grupos de pessoas sem escrúpulos e falta do que fazer, abusando e criando as mais imaginárias histórias, sempre com o mesmo fim, falar mal e lançar confusão entre semelhantes que levavam a vida pacata e sem dedo a apontar! E agora? Muito honestamente nem faço ideia como dar nomenculatura! São as maiores fantasiosas mentiras, boatos e julgamentos, ouvidos por todos os lados! E que tal se finalmente "esta gente" aprendesse que uma das maiores lições que podemos aprender na vida, é olharmos e conhecermos-nos bem, ao jeito de introspecção, deixarmos as vidas do vizinho com ele mesmo e utilizar o tempo livre para fazer coisas úteis ou aprovitar o lazer do "non fare niente" É saudável e natural! O uso abusivo de má língua deveria ser objeto de coima de valor bastante elevado ou qualquer tipo de punição, para quem a usa, pensar sempre primeiro antes de o fazer!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Noites de vela ou de lanterna!!!

Por uma questão de lógica, penso, que o termo "estar de vela", vem do facto de estarmos acordados, a velar, neste caso, a fazer zelo de alguém. As nossas noites de vela no hospital, obrigam a prestar os cuidados necessários aos doentes e a fazer a vigia com lanterna, de vez em quando, por todas as camas das enfermarias, para verificar se tudo está dentro da normalidade, o que por vezes não acontece! Mas só pelo facto de ser noite e esta convencionálmente "ser feita para descansar", todos os rúidos, a grande azáfama e população hospitalar, ficam reduzidos a um acentuado silêncio. As nossas tarefas que fazem barulho são sempre efectuadas durante os turnos de dia. Sendo assim é lógico e natural que o ritmo de trabalho abrande substâncialmente e ficamos com muito mais tempo conhecermos melhor os colegas, conversar e trocar idéias! É como passar da Sala de Triagem, para a de Observações!!! Dá tempo para desabafos, contar histórias e melhor as nossas relações interpessoais. As relações pessoais, nunca e jamais, podem interferir com a nossa profissão e desempenho! Mas é inevítavel que existam e que se aprofundem por aqui. De facto é bom que a frieza fique de lado, dando lugar a um caloroso convívio entre nós, Os Prós!

Julgamentos precipitados, ilacções erráticas!

Por mais que aprendemos com o nosso percurso de vida, que nunca devemos julgar alguém precipitadamente ou através dos olhos de outrém, inevitávelmente o fazemos. Infelizmente é daqueles erros que nem com o décimo quinto, por aí, aprendemos a não repetir! Mas também estamos sempre a tempo de assumir que fizemos julgamentos de circunstância, com motivos idiotas e assumir o erro! Que afinal é o de pensar que possuímos a capacidade, sequer, de julgar alguém. Felizmente, os julgamentos precipitados vão-se diluíndo por si e vão dando lugar a sentimentos concertados que fazem com que as relações se manifestem saudáveis e naturais!