quinta-feira, 30 de julho de 2009
Ameba...personalidade abúlica
Sim, já sei! Todos somos diferentes! Quer pela genética, quer pela freguesia e local de nascimento da certidão, pela pele, cheiro, altura, largura, vivência, crescimento, ambiências, famílias, carros, casas, marcas de preferência, tipo de alimentação, hábitos de higiene, tamanho de roupa, nº de telefone,...."what ever" E sim, somos todos personagens diferentes! Mas, quer queiramos, quer não, também fazemos muitas coisas "iguais"- Quer profissionalmente, quer no lazer, quer na ida à praia, ao hipermercado ou mesmo na ida à loja do chinês. Basicamente pensamos de modo diferente, reagimos de formas diferenciadas, em relação a situações idênticas, ou seja o nosso imo é simplesmente diferente.....Mas aqui, em mais um dos meus aprecios, o busílis está no facto de termos tarefas iguais e convencionadas como tal, a cumprir. Penso que aqui no concreto do nosso desempenho enquanto aux's ou ao's, todas temos de cumprir o dia a dia das tarefas que são inerentes à profissão. Não tenho a tarefa de verificar os sinais vitais do doente, fazer as bm's, não tenho a preocupação de fazer a preparação da terapêutica, de imprimir o cardex, escrever pastas, não uso estetoscópio, nem fazer a leitura correcta de uma tomografia axial computorizada, decidir se o doente vai passar pelo bloco. Faço parte do conjunto, mas as tarefas são outras. E muito menos tenho de agir nessa pretensa, julgando que me enriquece e enaltece como pessoa, tomando uma pose que não me pertence e pensando que estou muito acima das tarefas que me competêm. Não sou maior, não sou mais pequena, mais rica, inteligente, ou esperta, se assim fosse, seria sim, doutada de uma falta humildade, carregava nas costas um peso de frustração e tornava-me rídicula, simplesmente por me achar superior aos meus pares. E ao agir de forma similar desço ao baixo nível de caractér e tornou-me de um tamanho só mensurável, por micro, micro, medidas...É falta de postura, fica mal e mostra a quem observa, exactamente o contrário. Uma acentuadíssima falta de inteligência, correctivismo e valores. Porque só quem não está bem consigo é que faz uma "montra" cheia do melhor, daquelas que se muda de um dia para o outro. Vive em pleno oceano de frustações declaradas e julga ser quem não é! A NOSSA PELE É A ÚNICA QUE NOS FICA EXACTAMENTE À NOSSA MEDIDA. O ser superior não tem necessidade de o afirmar, simplesmente aceita as diferenças, sem inferioridades, nem atitudes chauvinistas, com todo o orgulho de poder contribuir para um todo. Muito sinceramente sinto pena de quem vê no espelho de seu recanto do lar, uma pessoa completamente diferente da realidade exposta aos olhos dos outros. A falta de autoconhecimento com o intuito de chegar dentro de si, por perca de tempo com máscaras que não nos servem impede o crescermos de uma maneira segura e saudável de forma a podermos partilhar com os outros o melhor que nós temos! Vá, vá lá, isto é só uma visão em jeito desabafante da gaija aqui deste Blogue!
domingo, 26 de julho de 2009
Agora que foste...não sofres mais por aqui...
Descansa das dores que há muito sentias. Conseguiste conquistar sem palavras, o que muitos jamais conseguem sem se calar! Por aqui, julgo, que não serás esquecido. Mas por bem tiveste de daqui partir! Descansa.....
sábado, 25 de julho de 2009
A triagem na paragem
Por muitas vezes e principalmente nesta área, é nas alturas de maior emergência, que o teste aos profissionais é triado! Não por ser de caractér obrigratório, mas sim por reparo e análise dos demais, sem qualquer tipo de premeditação! Afinal é sempre bom perceber o nível e a capacidade do dito "desenrascanço" em urgência de caso "vida ou morte"! Esta semana sucedeu por cá uma "paragem", à qual estiveram presentes, entre médicos, enfermeiros e assistentes operacionais, 29 profissionais. Certamente, um excesso de prós para tal ocorrência e que poderia causar atrapalho. Mas a curiosidade expectante e humana, assim o ditou! Mas aqui, o concreto desta escrita, é de facto a minha mera "triagem" ao desempenho de quem a tinha esse dever. O factor surpresa, teve para mim duas linhas mestras, a primeira por ser a minha primeira "paragem" que assistia, excepto a que tive presente quando o meu falecido Pai também parou, a outra linha foi a surpresa do desempenho dos profissionais deste serviço. A notória calma e segurança, aliada ao poder de discernimento e liderança de quem encabeçou a cama, foi sem dúvida o que pode chamar de "excelente" e enaltecer a profissional ao atribuir uma série de adjectivos caracterizantes da qualidade do desempenho à profissional em causa. O ladear não me surpreendeu, pois a minha opinião à cerca desta outra profissional, já para mim, excelente era, vindo aqui reforçar conceitos e valores de uma forma mais intensa, pessoa que prezo muito e admiro quer pela sua capacidade de trabalho, quer pela qualidade do mesmo! A surpresa deu-se mesmo ao facto de verificar que por vezes quem julgamos ser a pessoa mais descontraída, com ar de quem anda sempre com a cabeça no, lua, nuvens....teve uma atitude correcta eficaz e muito presente e de uma forma louvável, remetendo muita gente para um plano mais baixo de que se têm em conta. De parabéns está! E no final, provar aque ainda existem portadores de devoção e vocação pura para esta sensível área, que mesmo acabados de sair de estágios, e com pouca experiência de campo, nasceram mesmo para a "coisa", fazendo sobressair uma enorme reponsabilidade, correcção, competência e ainda por cima, um respeito enorme em valores humanos e morais. Fiquei feliz! Provávelmente muitos dos presentes neste "Plateau" não partilham desta minha triagem, mas afinal este blogue é O meu blogue!
quinta-feira, 16 de julho de 2009
Eu no maravilhoso mundo da burocrácia...
Há uns posts atrás referi que tive de levar uma injecção devido a uma dor de costas proveniente do meu desempenho de assistente operacional. Bem, com alguma medicação e algum descuido de quem me fez o primeiro diagnóstico, a coisa lá se aligeirou. Mas de à uns dias até antes de ontem, voltou e de maneira cruel e atroz, provocando em mim um doloroso mal estar, daqueles que nos faz mesmo recorrer à urgência e observação. Lá voltei à urgência, mas desta vez sugeri um rx e fui munida do impresso que eu mesma downloadiei lá no pc, para evitar conflitos laborais. A dra. passou-me 3 diazitos de baixa para repouso, levei outra injecção e deu-me outra terapêutica, de modo a ver se a coisa desta vez se compõe melhor. Mandou-me marcar consulta com ela para me dar alta passados os três dias e prontes, fui para casita descansar a julgar que o processo estava na perfeita correcção! Tive obviamente uma exacerbada preocupação em fazer aviso de que me era impossível, por questões de saúde, comprovadas, da minha não presença no trabalho no turno de manhã que me estava destinado e fiz envio de sms a horas tardias, porque eram as que marcavam nos relógios, pois pensei que telefonar era muito incomodativo, mas também tinha plena consciênciencia que não iria conseguir acordar atempadamente a horas devido à injecção 2 em 1 que me tinha sido administrada! Mas não! Afinal estava tudo mal e para ter direito ao seguro, tive de ir a uma clínica privada, no dia seguinte, em vez de estar em repouso, para ter direito acidente de trabalho! É lindo! Afinal pensava eu que trabalhava num hospital! O médico, sr. com simpatia e discernimento, achou tal, como eu, a situação caricata e de pura burocracia, dizendo porém que a baixa passada pela colega do hospital onde trabalho, era completamente lógica e legal, aconselhando a ir á consulta da colega para me dar alta e dizendo que estava em pleno direito laboral. Assim fiz! Mas também fiz cópias de todos os documentos e comuniquei directamente ao departamento que trata dos acidentes de trabalho do meu hospital! Sim porque mais vale prevenir do que remediar, e isso cada vez aprendo mais a fazer!
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Sr.Vitorino
Tenho sido parca em relatos de histórias reais com nomes fictícos, apesar de muitas constarem redigidas à velha maneira, da caneta e papel, nos meus apontamentos pessoais. Hoje resolvi postar aqui uma das mais antigas.
Sr. Vitorino (nome fictício)
Hoje (data já passada), ao entrar no 2.1 (actual unidade 2), fui fazer a minha actual ronda pelas enfermarias, para ver quem estava, os novos, os cromos repetidos e os que à muito por ali estão. Quando cheguei ao último quarto e direccionei o meu olhar para a cama junto à janela, tive um choque! Pois o meu amigo de confidências, que só ria, via desenhos animados e cujo só uma única vez ouvi proferir umas palavras imperceptíveis, não estava na cama e outro já havia tomado o seu lugar. O meu 1º pensamento, foi, fez a dita alta celestial! Coisa diária e comum por estas bandas, à qual estamos mais do que habituados, mas que sempre respeitamos. Perguntei a uma colega e ela informou-me que não. Tinha sido transferido para outra cidade, cujo o sítio recebia pessoas com a sua patologia. Fiquei mais contente, porque apesar da dita alta ser mais que certa ao meu amigo, é sempre bom saber que não ocorreu. Mas não deixo de sentir falta do Sr. Vitorino, apesar de ter comido o ursito de peluche que lhe ofertei! ehehe Só desejo que a filha saiba para onde foi e lhe agarre na mão com o carinho que tive oportunidade de presenciar. Foi colhido na rua e internado como sem abrigo e desconhecimento da existência de algum familiar, como muitos casos. Ninguém sabia do existir da filha Rita, Teen, por volta dos 13, 14 anos e da ex-mulher, que por um mero acaso lá o conseguiram descobrir. A ex. nunca mais voltou, mas a filha Rita, sim, e o amor pelo pai durante as parcas visitas, provavélmente contrariadas pela progenitora, eram atmosfera boa e pura junto à cama do meu amigo....Que jamais esquecerei! Para mim uma presença sentida!
Sr. Vitorino (nome fictício)
Hoje (data já passada), ao entrar no 2.1 (actual unidade 2), fui fazer a minha actual ronda pelas enfermarias, para ver quem estava, os novos, os cromos repetidos e os que à muito por ali estão. Quando cheguei ao último quarto e direccionei o meu olhar para a cama junto à janela, tive um choque! Pois o meu amigo de confidências, que só ria, via desenhos animados e cujo só uma única vez ouvi proferir umas palavras imperceptíveis, não estava na cama e outro já havia tomado o seu lugar. O meu 1º pensamento, foi, fez a dita alta celestial! Coisa diária e comum por estas bandas, à qual estamos mais do que habituados, mas que sempre respeitamos. Perguntei a uma colega e ela informou-me que não. Tinha sido transferido para outra cidade, cujo o sítio recebia pessoas com a sua patologia. Fiquei mais contente, porque apesar da dita alta ser mais que certa ao meu amigo, é sempre bom saber que não ocorreu. Mas não deixo de sentir falta do Sr. Vitorino, apesar de ter comido o ursito de peluche que lhe ofertei! ehehe Só desejo que a filha saiba para onde foi e lhe agarre na mão com o carinho que tive oportunidade de presenciar. Foi colhido na rua e internado como sem abrigo e desconhecimento da existência de algum familiar, como muitos casos. Ninguém sabia do existir da filha Rita, Teen, por volta dos 13, 14 anos e da ex-mulher, que por um mero acaso lá o conseguiram descobrir. A ex. nunca mais voltou, mas a filha Rita, sim, e o amor pelo pai durante as parcas visitas, provavélmente contrariadas pela progenitora, eram atmosfera boa e pura junto à cama do meu amigo....Que jamais esquecerei! Para mim uma presença sentida!
Recusas ou receios em receber comida?
Desde o início desta minha profissão, muito recente, que me tenho vindo a apercerber que por vezes, certos doentes oferecem resistência a receber a alimentação, por receio! Uma das nossas tarefas, aquando, o doente não tem possibilidade em comer as refeições sozinho, é dar à boca as mesmas. Quer por impossibilidade física, quer por impossibilidade também de pura ausência do poder da voz e incapacidade manifesta de comunicação com o mundo que os rodeia. Imagino, eu, o sentimento de não poder dizer que não se não se gosta da sopa, que detestamos iogurte ou a papa está muito enjoativa! De qualquer maneira, a importância de quem recebe uma quantidade de terapêutica, é muito elevada. Ou seja, a alimentação feita de um modo correcto, quer em quantidade, quer em qualidade, é ao doente muito importante! Muitos cerram os dentes e não querem mesmo comer! Por vezes, a única maneira é o recurso à administração com a "bela" da seringa para alimentação de 50 cc. Da minha parte, o recurso a tal objecto causa-me a mim própria "recusa" alimentar. Jamais gostaria de receber a sopita de rajada dentro da minha boquita sem poder protestar! Julgo que ninguém ficaria satisfeito com tal forma de receber o repasto! Devido a essa circunstância, tudo eu faço para dar a boa da comida por colher. Primeiro tento manter contacto visual com o doente, passando para a tentativa de manter relação de confiança. É claro que muitas vezes em vão, mas também por muitas vezes dá resultado. Converso, em puro monólogo, de forma suave e com muita calma. Sim, calma e muita paciência é essêncial para o êxito de tal tarefa. Ao colocar a colher na boca tento também apercerber-me da morfologia da mesma e do estado dentário. Pois por vezes a colher pequena é o melhor recurso para tirar o receio, seguindo depois para uso da maior! Tenho conseguido alcançar bastantantes respostas positivas da parte dos doentes, utilizando esta metodologia. E tenho percebido também que as recusas provém de receios de modos de administrações anteriores! Comigo, a seringa 50 cc de alimentação é mesmo último, mesmo o último dos recursos!
sábado, 4 de julho de 2009
Alimentar o cérebro!
A falta de estimulação mental dos doentes internados nas unidades de medicina interna, provoca lotação esgotada de camas hospitalares, gastos excessivos de material clínico, alimentação e terapêutica, causando assim um enorme abalo à economia do país! E que tal colocarem técnicos da área da psicologia com intenção de auxiliarem os utentes a ultrapassarem melhor a situação de internamento, doença, De modo a que se sintam de uma forma mais apoiada na parte psicolócica, que pelo conjunto de factores ser pesado, os deixa demasiado fragilizados e inseguros em relação a tudo, começando por si próprios? Certamente faria maravilhas! corpo sanus mens sana E já agora, deixo por aqui......um baralho de cartas, para a suecada e bisca, um tabuleiro de xadrez e damas, para os apreciadores, fomentando um convívio saudável e descontraído, aos doentes independentes, lá para os lados do refeitório!
Subscrever:
Mensagens (Atom)
